Depressão em idosos: Por que os sinais podem ser diferentes? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela

Olivia Calderton
5 Min de leitura
Yuri Silva Portela

Assim como retrata o pós-graduado em geriatria, doutor Yuri Silva Portela, a depressão na terceira idade nem sempre aparece como tristeza evidente. Mudanças no sono, no apetite, na disposição, na memória, no interesse por atividades e até queixas físicas podem chamar mais atenção do que alterações emocionais. Tendo isso em vista, o Doutor Yuri Silva Portela atua em uma área na qual reconhecer essas diferenças é importante para evitar que manifestações de sofrimento emocional sejam interpretadas simplesmente como consequências naturais do envelhecimento.

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Por que a depressão pode passar despercebida?

Já de início, o Doutor Yuri Silva Portela aponta que uma das dificuldades está na própria maneira como os sintomas se apresentam. O idoso pode não dizer que está triste, mas começar a se afastar de pessoas, abandonar atividades que costumava apreciar ou demonstrar menos interesse pela rotina. Essas mudanças podem parecer discretas quando observadas isoladamente. Quando várias delas aparecem ao mesmo tempo ou persistem por um período prolongado, passam a exigir uma observação mais cuidadosa.

Queixas físicas também podem ocupar o primeiro plano. Cansaço persistente, alterações do sono, perda ou aumento do apetite e falta de energia podem aparecer junto ao sofrimento emocional. Como esses sinais também podem estar relacionados a outras condições de saúde, é importante evitar conclusões precipitadas. Uma avaliação profissional pode ajudar a diferenciar manifestações emocionais de alterações relacionadas a outros problemas ou até identificar situações que coexistem.

Outro fator é a ideia equivocada de que tristeza e desânimo são partes inevitáveis da velhice. Envelhecer não significa perder necessariamente o interesse pela vida ou deixar de participar de atividades. Mudanças persistentes no comportamento merecem ser observadas justamente porque podem indicar que algo não está bem. Reconhecer essa diferença ajuda familiares e cuidadores a não normalizarem sinais que podem afetar o bem-estar e a participação social do idoso.

Quais mudanças de comportamento merecem atenção?

A perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer é um sinal que pode chamar a atenção. Uma pessoa que costumava encontrar amigos, cuidar de plantas, caminhar ou participar de atividades comunitárias e passa a evitar essas experiências pode estar atravessando uma mudança importante. Quando essa alteração se mantém e começa a interferir na rotina, é importante investigar o que pode estar contribuindo para essa mudança.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

O Doutor Yuri Silva Portela expressa que o isolamento também merece ser observado, principalmente quando representa uma ruptura com o comportamento habitual. Reduzir contatos pode acontecer por limitações físicas ou mudanças na rotina, mas o afastamento acompanhado de desânimo, falta de energia ou perda de interesse pode indicar a necessidade de uma avaliação mais cuidadosa. Conversar com o idoso sobre essas mudanças, sem julgamentos ou cobranças, pode ajudar a identificar dificuldades que não são percebidas apenas pela observação.

Como sintomas físicos podem confundir a percepção? Saiba agora com o Doutor Yuri Silva Portela

Na terceira idade, sintomas físicos frequentemente fazem parte de outras condições de saúde. Por isso, cansaço, alterações no sono, mudanças no apetite ou dores não devem ser automaticamente interpretados como sinais de depressão. Da mesma maneira, não é adequado atribuir todas essas manifestações exclusivamente à idade. Observar a frequência, a intensidade e as mudanças em relação ao padrão habitual pode oferecer informações importantes para uma avaliação mais completa.

O Doutor Yuri Silva Portela pontua que a avaliação precisa considerar quando os sintomas começaram, como evoluíram e se estão interferindo nas atividades habituais. Uma mudança repentina ou progressiva na disposição pode fornecer informações importantes, especialmente quando vem acompanhada de alterações emocionais ou comportamentais. Relatar essas mudanças ao profissional de saúde ajuda a construir um histórico mais preciso e a identificar quais aspectos precisam de investigação.

Essa atenção é importante porque diferentes problemas podem coexistir. Uma pessoa pode apresentar uma condição física e, ao mesmo tempo, enfrentar sofrimento emocional. Investigar adequadamente cada possibilidade ajuda a evitar que uma manifestação seja ignorada porque foi atribuída automaticamente a outro problema. Uma análise individualizada permite considerar o conjunto de sintomas e o contexto em que eles surgiram, em vez de buscar uma explicação única para todas as alterações.

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