Imposto de importação de elétricos chega a 35% em julho: o que muda para quem quer comprar um EV

Diego Velázquez
7 Min de leitura

Fim do escalonamento tributário atinge carros vindos prontos de fora e pode afetar o preço final ao consumidor

Quem estava de olho em um carro elétrico importado precisa prestar atenção a uma mudança que já está em vigor neste mês. A partir de julho de 2026, o imposto de importação de veículos elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais atingirá a alíquota máxima de 35% no Brasil. A medida marca o encerramento de um processo que já vinha sendo anunciado desde 2024, mas que só agora chega ao seu ponto final. Primo Auto

Essa mudança não surgiu de um dia para o outro. A medida encerra o cronograma escalonado iniciado em janeiro de 2024 e foi aprovada pela Câmara de Comércio Exterior como parte de uma política industrial voltada à produção local. Ou seja, o objetivo declarado por trás do aumento gradual da alíquota sempre foi incentivar que as montadoras produzam seus modelos eletrificados dentro do país, em vez de simplesmente trazê-los prontos. Primo Auto

Como funcionava a alíquota até agora e o que muda de fato

Para entender o tamanho da mudança, vale lembrar de onde ela partiu. Desde o início de 2024, as alíquotas vinham subindo de forma gradual, depois de anos em que veículos eletrificados gozaram de isenção ou redução tributária. Esse período de benefício fiscal foi justamente o que ajudou a popularizar os elétricos no país nos últimos anos, com preços mais competitivos em relação aos modelos vindos de fora. Primo Auto

Agora esse cenário muda de figura para as marcas que ainda dependem fortemente de trazer o carro pronto de outro país. O efeito mais direto recai sobre montadoras que dependem fortemente de importação de veículos prontos, no modelo chamado CBU, completamente montado. Para essas empresas, a alíquota cheia representa uma pressão real sobre a estrutura de custos, o que tende a se refletir no preço final oferecido ao consumidor brasileiro. Primo Auto

Isso não significa, porém, que toda montadora vai sentir o impacto da mesma forma. Marcas que já produzem ou montam localmente seus modelos, mesmo que em esquemas parciais, tendem a sofrer menos com essa mudança do que aquelas que ainda vendem majoritariamente carros vindos prontos de fábricas no exterior.

O outro lado da moeda: mais fábricas e mais opções no Brasil

Enquanto o imposto sobe para quem importa pronto, o movimento de instalação de fábricas no país segue avançando em ritmo forte. A GWM já inaugurou sua fábrica em Iracemápolis, em São Paulo, e confirmou produção de modelos como Haval H6, Haval H9 e Poer P30 no Brasil. A BYD segue caminho parecido, tendo transformado sua unidade em Camaçari, na Bahia, em um ponto estratégico da operação nacional. IPE CARREGADORES

Além das fabricantes chinesas, marcas de origens variadas também miram o mercado brasileiro nos próximos meses. A Leapmotor estreará oficialmente no Brasil ainda este ano com o lançamento do SUV C10, enquanto o B10, um modelo menor, já está confirmado para o ano seguinte. A expectativa do setor é que a chegada de novas marcas continue mesmo com a tributação mais alta, já que boa parte delas planeja produção local desde o início. Canaltech

O segundo semestre de 2026 promete ser especialmente movimentado em lançamentos. Entre renovações de modelos consolidados e a chegada de marcas inéditas, a última metade do ano deve somar mais de 50 lançamentos, dos quais 20 são elétricos. Isso mostra que, apesar do aumento da carga tributária sobre carros importados prontos, o interesse das montadoras em oferecer opções eletrificadas ao consumidor brasileiro segue firme. CNN Brasil

O que o consumidor deve considerar antes de comprar

Para quem está pesquisando um carro elétrico neste segundo semestre, o primeiro ponto de atenção é entender se o modelo desejado é fabricado ou montado no Brasil, ou se chega totalmente pronto de fora. Essa diferença pode significar uma variação relevante no preço final, já que os modelos com produção local tendem a sofrer menos com o novo teto tributário.

Outro fator que vale acompanhar é a estrutura de recarga disponível no país, que tem crescido de forma consistente nos últimos anos. O Brasil alcançou 21.061 pontos públicos e semipúblicos de recarga até fevereiro de 2026, com forte avanço dos carregadores rápidos e ultrarrápidos, que já representam 31% da rede. Isso ajuda a reduzir uma das principais barreiras que ainda afastam parte dos consumidores da migração para o elétrico. IPE CARREGADORES

De todo modo, a recomendação para quem pensa em fechar negócio nos próximos meses é pesquisar com calma, comparar o preço final entre modelos importados e nacionais e verificar se há previsão de reajuste por parte da montadora, já que o novo teto tributário começou a valer agora em julho e ainda deve gerar ajustes de tabela em diferentes marcas ao longo do segundo semestre.

Fontes:
Imposto de importação de elétricos chega a 35% em julho de 2026 – Primo Auto
Carros elétricos e híbridos em 2026: tendências, preços e impacto – IPE Carregadores
10 carros elétricos que podem chegar ao Brasil em 2026 – Canaltech
Veja os 20 carros elétricos que serão lançados no segundo semestre de 2026 – CNN Brasil

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