O lixo invisível das cidades: A poluição eletromagnética está em todo lugar

Olivia Calderton
6 Min de leitura
Matheus Vinicius Voigt

Atualmente, Matheus Vinicius Voigt, profissional especializado nas áreas de engenharia elétrica e gestão de projetos, enfrenta um desafio que acompanha o crescimento da urbanização tecnológica. Parte dos resíduos das cidades é visível, mas outra parcela permanece oculta em cabos, equipamentos, antenas e componentes fora de uso. O lixo técnico, por sua vez, é gerado em decorrência da emissão de campos eletromagnéticos por redes e dispositivos. Apesar de compartilharem o mesmo ambiente, tais emissões são de naturezas diferentes.

Equipamentos eletrônicos obsoletos podem continuar ocupando espaço, mesmo após perderem sua função. Alguns são reaproveitáveis, enquanto outros exigem tratamento específico. A ausência de inventário e rastreabilidade torna difícil a gestão pública da infraestrutura envelhecida.

A poluição eletromagnética não se enquadra na categoria de lixo eletrônico. A presente relação está associada a campos gerados por redes elétricas, telecomunicações, antenas e dispositivos urbanos. A avaliação considera critérios como frequência, intensidade, distância, tempo de exposição e conformidade com limites técnicos.

De cabos abandonados a equipamentos obsoletos

O lixo técnico urbano surge quando ativos deixam de atender aos seus propósitos, contudo não são removidos ou destinados de maneira apropriada. É possível que fios, caixas antigas, antenas desativadas, fontes, roteadores e equipamentos de controle permaneçam instalados por anos, caso não sejam utilizados. A obsolescência aumenta o volume desse estoque à medida que novos padrões substituem sistemas anteriores.

A complexidade do projeto aumenta quando diferentes empresas compartilham calçadas, postes, galerias e fachadas. Na ausência de identificação de propriedade e responsabilidade, um cabo pode ser abandonado após a desativação do serviço. Matheus Vinicius Voigt assevera que a realização de inventários de ativos e registros de manutenção é imprescindível para a separação da infraestrutura operacional de resíduos eletroeletrônicos, que devem seguir a logística reversa.

Poluição eletromagnética não é lixo eletrônico

Campos eletromagnéticos são produzidos durante o funcionamento da rede elétrica e de sistemas de comunicação. Redes de energia, transmissores, antenas e equipamentos eletrônicos geram campos em diferentes frequências e intensidades. A existência desses campos não significa que haja descarte irregular ou contaminação.

A relação emerge quando a cidade acumula infraestruturas sem um planejamento adequado. Os equipamentos ativos devem ser avaliados, mantidos e controlados. Já os desativados devem ser identificados, removidos e destinados. De acordo com Matheus Vinicius Voigt, a compatibilidade eletromagnética e a gestão de resíduos são dimensões complementares, embora distintas.

A análise deve ser baseada em medições técnicas. Fatores como radiofrequência, distância, instalação e tempo de exposição influenciam a avaliação ambiental. O descarte deve considerar composição, estado e encaminhamento, evitando a transformação de equipamentos em ameaças.

Matheus Vinicius Voigt
Matheus Vinicius Voigt

Impactos e caminhos para a gestão do descarte tecnológico

Equipamentos abandonados podem liberar componentes que contaminam o solo e a água, e ocupam áreas de circulação e manutenção. A retirada tardia pode elevar o custo da recuperação.

O problema não se limita apenas ao aspecto ambiental. A ausência de manutenção em estruturas pode resultar no desprendimento de partes, na dificuldade de inspeção, no bloqueio de caixas e na interferência em novas obras. Informamos que a recuperação de metais e componentes com valor econômico não é mais uma possibilidade. Matheus Vinicius Voigt considera que a falta de descomissionamento pode transformar a expansão digital em materiais difíceis de localizar.

A reciclagem de equipamentos eletrônicos exige operação especializada, que inclui a desmontagem, a separação e o tratamento dos materiais. A mistura de diferentes aparelhos em caçambas não permite o rastreamento e pode contaminar aterros. A rastreabilidade deve ser considerada desde a instalação.

A gestão começa com um inventário de postes, cabos, antenas, caixas, painéis e equipamentos de comunicação. Cada ativo deve ter localização, dono, estado e previsão de substituição. Essa base permite definir prioridades, retirar estruturas sem uso e planejar novas redes.

A manutenção ajuda a identificar obsolescência. Os contratos de obras e serviços devem definir as responsabilidades referentes à retirada, transporte e destinação dos resíduos. Matheus Vinicius Voigt pondera que o descomissionamento deve ser devidamente planejado, tanto em termos físicos como financeiros. Além disso, é essencial incluir a recomposição de calçadas, fachadas e espaços técnicos nesse planejamento.

O futuro da cidade conectada depende também do que ela consegue retirar de circulação

A cidade conectada não deve ser avaliada apenas pela quantidade de sensores, antenas e conexões. É imprescindível que a maturidade seja demonstrada ao acompanhar o ciclo de vida e retirar os materiais sem função. A inovação sem a descontinuidade de processos apenas desloca o problema.

A integração entre engenharia, gestão de resíduos e planejamento urbano permite a modernização das redes sem a acumulação de passivos. Inventários, manutenção, logística reversa e critérios de exposição eletromagnética devem estar alinhados com a mesma visão de infraestrutura, apesar de tratarem de riscos distintos.

Ademais, Matheus Vinicius Voigt elucida que o lixo invisível diminui quando cada componente possui um destino, um responsável e um prazo definidos. Essa disciplina promove a ampliação da conectividade, a preservação do espaço urbano e a recuperação de materiais, sem tratar a tecnologia como descartável.

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