Toyota planeja usar 400 mil robôs para transformar suas fábricas com inteligência artificial

Olivia Calderton
9 Min de leitura

Montadora estima investimento de até US$ 6,4 bilhões por ano a partir de 2028 para modernizar fábricas e ampliar automação com robôs.

A Toyota está preparando uma das maiores iniciativas de automação da indústria automotiva ao estimar a necessidade de aproximadamente 400 mil robôs para modernizar suas fábricas a partir de 2028. A estratégia envolve tanto robôs industriais convencionais quanto máquinas humanoides e sistemas capazes de utilizar inteligência artificial para aprender tarefas realizadas por trabalhadores. A empresa calcula que poderá investir cerca de 1 trilhão de ienes por ano, o equivalente a aproximadamente US$ 6,4 bilhões, na modernização de suas unidades.

O plano está relacionado à renovação de fábricas, à automação da produção e à necessidade de lidar com estruturas industriais envelhecidas e desafios relacionados à mão de obra. A Toyota pretende aplicar as novas tecnologias em processos industriais, logística e atividades nas quais humanos e robôs possam trabalhar conjuntamente.

Toyota amplia aposta em robôs com inteligência artificial

A estratégia da Toyota representa uma mudança importante na maneira como a automação pode ser utilizada dentro de uma fábrica. Em vez de depender exclusivamente de robôs programados para repetir movimentos específicos, a montadora está desenvolvendo máquinas capazes de perceber o ambiente, aprender com movimentos humanos e adaptar suas ações a diferentes situações.

Um dos principais projetos é o ELEY, robô desenvolvido pela própria Toyota. O sistema utiliza uma estrutura inspirada no corpo humano para reproduzir movimentos e executar tarefas que exigem maior flexibilidade. A empresa explica que o projeto inclui até mesmo um eixo semelhante à escápula humana para ampliar a movimentação dos braços em atividades realizadas com as duas mãos.

O conceito está relacionado à chamada Physical AI, ou inteligência artificial física. Nesse modelo, a inteligência artificial não fica limitada a softwares e telas, mas passa a controlar máquinas capazes de interagir diretamente com o mundo físico.

A tecnologia permite que os robôs utilizem informações obtidas por sensores e dados de movimentos para aperfeiçoar sua atuação. Para a indústria automotiva, isso pode ampliar o número de tarefas que podem ser automatizadas, principalmente aquelas que exigem alguma capacidade de adaptação.

A Toyota já utiliza há anos tecnologias de robótica e pesquisa nessa área. O desenvolvimento do ELEY aproveita conhecimentos acumulados pela empresa em projetos anteriores, incluindo o Human Support Robot, apresentado originalmente em 2012.

Investimento pode chegar a US$ 6,4 bilhões por ano

A Toyota estima que a modernização de suas fábricas poderá exigir aproximadamente 1 trilhão de ienes por ano a partir de 2028. O valor corresponde a cerca de US$ 6,4 bilhões e envolve a Toyota, empresas do grupo e fornecedores importantes.

A previsão de aproximadamente 400 mil robôs não significa que todos serão humanoides. A estimativa inclui equipamentos industriais que substituirão máquinas existentes e novos sistemas destinados a ampliar a automação. A empresa pretende utilizar diferentes tipos de robôs conforme as necessidades de cada etapa da produção.

Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, a estratégia também está relacionada à modernização de aproximadamente 60 fábricas. Cerca de 150 mil robôs seriam destinados às unidades próprias da Toyota, enquanto outros 250 mil poderiam ser utilizados por empresas do grupo.

O objetivo é criar fábricas cada vez mais conectadas, nas quais equipamentos, robôs e sistemas de inteligência artificial compartilhem informações. Dessa maneira, uma tecnologia treinada em uma unidade poderia ter seus dados aproveitados em outras fábricas.

Essa possibilidade é particularmente importante para uma empresa com operações industriais espalhadas por diferentes países. Em vez de desenvolver o mesmo processo de treinamento de forma independente em cada unidade, os dados poderiam ser compartilhados para acelerar a implementação de novas tarefas automatizadas.

A estratégia também pode ajudar a preservar conhecimentos acumulados por trabalhadores especializados. A Toyota possui cerca de 18 mil profissionais considerados especialistas em determinadas atividades de produção, conhecidos como takumi. Esses conhecimentos podem ser transformados em dados utilizados no treinamento de sistemas robóticos.

Robôs podem aprender tarefas realizadas por trabalhadores

Um dos aspectos mais avançados do projeto está na capacidade de ensinar os robôs a partir da observação de trabalhadores. Em vez de programar manualmente cada movimento, a Toyota vem desenvolvendo métodos para que os equipamentos aprendam determinadas habilidades observando pessoas executarem as tarefas.

O ELEY, por exemplo, pode aprender movimentos necessários para manipular objetos. Em uma demonstração realizada pela Toyota, o robô foi apresentado executando uma tarefa de dobrar uma camiseta após passar por um processo de treinamento baseado em repetição e observação.

A ideia é criar um sistema no qual trabalhadores ensinem os robôs e, posteriormente, os dados obtidos durante esse treinamento sejam compartilhados com outras máquinas. Assim, uma habilidade desenvolvida em uma fábrica poderia ser transferida para equipamentos instalados em outras unidades.

Essa arquitetura pode mudar a velocidade de implantação da automação. Em sistemas industriais tradicionais, uma alteração na linha de produção frequentemente exige programação e configuração específicas. Com inteligência artificial capaz de aprender, a Toyota pretende desenvolver máquinas mais flexíveis e capazes de lidar com diferentes condições.

A empresa também apresenta a iniciativa como uma forma de colaboração entre humanos e máquinas. O vice-presidente executivo Hiroki Nakajima afirmou, segundo informações divulgadas pela imprensa, que a intenção é criar um ambiente no qual robôs e pessoas possam coexistir, e não simplesmente substituir trabalhadores.

A automação, entretanto, também ocorre em um contexto de transformação da força de trabalho industrial. A própria Toyota relaciona seus investimentos à necessidade de modernizar instalações e enfrentar desafios relacionados à mão de obra. A forma como as empresas distribuirão tarefas entre trabalhadores e máquinas deverá continuar sendo um dos principais temas da evolução da indústria automotiva.

A movimentação da Toyota ocorre ainda em meio a uma corrida tecnológica entre fabricantes de veículos. Outras montadoras também estão testando robôs humanoides para atividades industriais e logísticas. A Toyota, por sua vez, já mantém uma parceria comercial com a Agility Robotics para utilização de robôs Digit em sua fábrica no Canadá.

Com o novo plano, a automação deixa de ser apenas uma ferramenta para determinadas etapas da montagem e passa a fazer parte de uma estratégia mais ampla de transformação das fábricas. A combinação entre robótica, inteligência artificial, sensores e compartilhamento de dados pode modificar a forma como veículos são produzidos nos próximos anos.

Para a indústria automotiva, o movimento também mostra que a competição tecnológica não está restrita aos veículos vendidos aos consumidores. As próprias fábricas estão se tornando plataformas de tecnologia, nas quais dados, inteligência artificial e robótica podem influenciar produtividade, logística e desenvolvimento de novos processos.

A partir de 2028, caso o plano avance conforme estimado, a Toyota deverá ampliar significativamente a presença dessas tecnologias em sua rede industrial. O projeto coloca a fabricante entre as empresas que estão tentando transformar a automação baseada em programação tradicional em um modelo no qual máquinas conseguem aprender e compartilhar habilidades.

Fontes: Reuters – Toyota estima investimento anual de US$ 6,4 bilhões em automação · Toyota – pesquisa sobre o robô ELEY · Agility Robotics – parceria com a Toyota

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