Pesquisa mostra avanço na intenção de compra de híbridos e elétricos, enquanto custo-benefício e autonomia ganham peso na decisão dos consumidores.
O interesse dos brasileiros por carros eletrificados avançou em 2026, segundo levantamento realizado pela Webmotors Autoinsights. A pesquisa mostra que uma parcela crescente dos consumidores considera trocar veículos exclusivamente a combustão por modelos híbridos ou elétricos na próxima compra. O movimento ocorre enquanto montadoras ampliam a oferta de veículos eletrificados no país e investem em novas tecnologias de propulsão.
Entre os entrevistados que ainda não possuem um carro híbrido ou elétrico, 71,4% afirmaram considerar a compra de um modelo eletrificado na próxima aquisição. O percentual representa avanço de sete pontos percentuais em relação ao levantamento realizado em 2025, quando a intenção era de 64,4%. (Folha de S.Paulo)
A pesquisa ouviu 1.200 pessoas que passaram pelo portal de classificados da Webmotors. Os dados indicam que os híbridos ocupam posição de destaque entre as opções consideradas pelos consumidores, enquanto os modelos totalmente elétricos ainda enfrentam obstáculos relacionados principalmente à autonomia e à infraestrutura de recarga.
Híbridos lideram preferência entre consumidores
Entre os participantes que consideram adquirir um veículo eletrificado, os modelos híbridos aparecem como a principal escolha. Segundo o levantamento, 39,9% dos entrevistados afirmaram preferir um automóvel híbrido, enquanto 8,9% escolheriam um modelo totalmente elétrico. Outros 13% ainda não decidiram qual tecnologia pretendem adquirir. (Folha de S.Paulo)
O resultado mostra que o consumidor brasileiro demonstra interesse pela eletrificação, mas ainda mantém preferência por tecnologias que combinam motores elétricos e a combustão. Os híbridos podem oferecer uma alternativa para quem busca reduzir o consumo de combustível sem depender exclusivamente de uma rede de carregamento para utilizar o veículo.
A resistência aos carros eletrificados também apresentou queda. A parcela dos entrevistados que afirmou não ter interesse em nenhuma dessas tecnologias passou de 23,9% em 2025 para 15,6% em 2026. A mudança indica que a eletrificação começa a ser considerada por um grupo maior de potenciais compradores. (Folha de S.Paulo)
O avanço acontece em um momento de expansão da oferta no mercado brasileiro. A tabela do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular de 2026, atualizada pelo Inmetro, reúne 959 modelos e versões de 43 marcas, incluindo 185 veículos elétricos, 113 híbridos plug-in e 110 híbridos. (Serviços e Informações do Brasil)
Custo-benefício e autonomia pesam na decisão
Apesar do crescimento do interesse, o preço continua sendo um fator decisivo para quem pretende comprar um carro eletrificado. De acordo com a pesquisa da Webmotors, 72% dos consumidores interessados em híbridos ou elétricos apontaram o custo-benefício como principal critério para a compra. (Folha de S.Paulo)
A autonomia também aparece entre as preocupações mais importantes. Levantamento divulgado pela CNN Brasil aponta que 62% dos entrevistados que ainda não possuem um veículo híbrido ou elétrico aceitariam pagar mais por um modelo capaz de percorrer uma distância maior antes de precisar de recarga ou abastecimento. (CNN Brasil)
Além da autonomia, 39% dos participantes desse levantamento mencionaram assistentes de condução e tecnologia como fatores relevantes, enquanto 38% citaram manutenção econômica e 35% destacaram o conforto interno. Os dados mostram que a decisão de compra não está relacionada apenas ao tipo de motor, mas também ao conjunto de recursos oferecidos pelo veículo. (CNN Brasil)
A infraestrutura de recarga permanece como outro ponto de atenção. Estudo da Deloitte divulgado em 2026 aponta que 37% dos consumidores brasileiros se preocupam com a disponibilidade de infraestrutura para recarregar veículos elétricos, enquanto 67% afirmam não ter acesso a um carregador privado. (Deloitte)
Esse cenário ajuda a explicar por que os híbridos aparecem como uma alternativa de transição para parte dos consumidores. Ao combinar diferentes formas de propulsão, esses veículos podem atender pessoas que desejam incorporar a eletrificação à rotina sem depender exclusivamente de carregadores públicos ou privados.
Mercado brasileiro amplia oferta de modelos eletrificados
A mudança no comportamento dos consumidores acontece paralelamente ao aumento dos investimentos das montadoras no mercado brasileiro. Renault e Geely, por exemplo, anunciaram em setembro um investimento adicional de 319 milhões de euros no país, equivalente a aproximadamente R$ 1,89 bilhão. Com o novo aporte, o investimento total das empresas entre 2025 e 2027 chega a 899 milhões de euros. (C-Level)
Parte da estratégia envolve a produção de um novo modelo eletrificado da Renault e do Geely EX2, totalmente elétrico, a partir de 2027. A parceria também prevê a utilização da estrutura industrial e comercial da Renault no país para ampliar a presença dos produtos da fabricante chinesa. (C-Level)
Outro movimento importante ocorre entre as montadoras chinesas, que vêm ampliando sua aposta em veículos híbridos flex no Brasil. A combinação entre eletrificação e motores capazes de utilizar etanol ou gasolina passou a fazer parte dos planos de empresas como BYD, GWM, Omoda & Jaecoo e outras fabricantes. (UOL)
Para o consumidor, o aumento da oferta significa maior variedade de preços, carrocerias e tecnologias disponíveis. Ao mesmo tempo, a expansão do segmento aumenta a importância de comparar autonomia, consumo, custo de manutenção, garantia das baterias, infraestrutura de recarga e valor de revenda antes da aquisição.
A pesquisa da Webmotors também aponta que existe uma faixa de preço considerada mais aceitável pelos consumidores interessados em veículos sustentáveis. Segundo o levantamento, 47% dos entrevistados consideram razoável pagar até R$ 100 mil, enquanto 35% apontam uma faixa entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. (Folha de S.Paulo)
Os números ajudam a dimensionar o desafio da indústria automotiva. Embora o interesse por eletrificados esteja crescendo, o consumidor ainda relaciona a decisão principalmente ao custo-benefício e à praticidade de uso. Para as montadoras, isso significa que ampliar a eletrificação do mercado brasileiro depende não apenas de lançar novos modelos, mas também de oferecer preços competitivos, autonomia adequada e uma estrutura de recarga capaz de acompanhar a expansão da frota.
Com a chegada de novos modelos híbridos, híbridos plug-in e elétricos, o mercado brasileiro deve continuar passando por uma mudança gradual no perfil dos veículos vendidos. A evolução da infraestrutura, a redução dos custos das tecnologias e a maior familiaridade dos consumidores com os sistemas eletrificados serão fatores importantes para determinar a velocidade dessa transformação nos próximos anos.
Fontes: Folha de S.Paulo – Pesquisa mostra que interesse por carros eletrificados avança no Brasil · CNN Brasil – 62% dos brasileiros aceitam pagar mais por autonomia maior · Deloitte – Global Automotive Consumer Study 2026 · Inmetro – Tabela PBE Veicular 2026