Os preços de fertilizantes como ureia e fosfatados subiram de forma expressiva nos últimos meses, pressionando diretamente o custo de produzir soja e milho no Brasil, justamente em um momento no qual o produtor já lida com outras variáveis de margem apertada. O empresário Wander Aguilera Almeida acompanha esse movimento como um dos fatores que mais exigem atenção na hora de planejar a próxima safra, ao lado do câmbio e das condições climáticas.
Como o país depende fortemente de fertilizante importado, qualquer instabilidade no mercado internacional chega rápido ao bolso do produtor brasileiro, sem que exista uma alternativa doméstica capaz de absorver essa pressão no curto prazo. Confira a seguir por que essa alta acontece, qual erro comum agrava ainda mais a situação e o que já se sabe sobre alternativas viáveis de proteção de margem.
Por que os fertilizantes ficaram tão mais caros?
Fatores como instabilidade geopolítica internacional, custo elevado de energia e gargalos de produção em grandes fornecedores globais pressionaram simultaneamente os preços de nitrogenados, fosfatados e potássicos nos últimos meses, num movimento que atingiu praticamente toda a cadeia de insumos ao mesmo tempo, sem distinção clara entre categorias de fertilizante. Wander Aguilera Almeida observa que essa combinação de fatores externos deixa o produtor brasileiro refém de decisões tomadas do outro lado do mundo, fora do alcance de qualquer planejamento puramente local.
A chamada relação de troca, que mede quantas sacas de grãos são necessárias para comprar uma tonelada de fertilizante, piorou de forma relevante nesse período, exigindo mais produção apenas para manter o mesmo nível de adubação da safra anterior, sem qualquer ganho real de rentabilidade para o produtor. Esse indicador costuma ser um dos primeiros sinais de alerta observados por quem acompanha de perto o planejamento financeiro da lavoura.
Qual erro comum os produtores cometem diante da alta de preços?
Diante do encarecimento dos insumos, um erro recorrente é reduzir a aplicação de fertilizante para economizar caixa no curto prazo, sem considerar o impacto dessa decisão sobre a produtividade da safra seguinte e sobre o resultado financeiro ao final do ciclo produtivo como um todo. Segundo Wander Aguilera Almeida, essa escolha costuma parecer racional no momento, já que reduz despesa imediata, mas cobra um preço alto lá na frente, quando a colheita chega menor do que o esperado.

Cortar adubação sem orientação técnica reduz o rendimento por hectare, o que pode anular qualquer economia obtida na compra de insumos, já que menos produtividade significa menos sacas para vender no fim do ciclo, comprometendo justamente o resultado que a economia deveria proteger em primeiro lugar. Esse tipo de decisão apressada costuma pesar mais no balanço final do que qualquer valor poupado na hora da compra.
Como a dependência de importação amplia esse risco?
O Brasil importa a maior parte do fertilizante que consome, o que torna o setor agrícola nacional especialmente vulnerável a qualquer instabilidade no comércio internacional desses insumos, sem alternativa imediata de fornecimento totalmente nacional capaz de suprir a demanda interna. O empresário Wander Aguilera Almeida retrata essa dependência como um dos pontos estruturais mais frágeis da cadeia produtiva brasileira atualmente, um risco que dificilmente será resolvido no curto prazo.
Câmbio desfavorável agrava ainda mais esse cenário, já que boa parte da compra de fertilizante é negociada em dólar, somando dois fatores de pressão simultânea sobre o custo final pago pelo produtor no momento da aquisição, num período em que a margem já está mais estreita do que o habitual. Essa combinação de câmbio e preço internacional em alta raramente ocorre de forma isolada, o que amplia ainda mais o impacto sobre o caixa da propriedade.
Que estratégias ajudam a proteger a margem nesse cenário?
Em vez de cortar adubação de forma generalizada, produtores bem orientados recorrem a análises de solo detalhadas para aplicar apenas o que a lavoura realmente precisa, evitando desperdício sem comprometer produtividade nem a qualidade final da colheita entregue ao comprador. Para Wander Aguilera Almeida, esse ajuste técnico costuma proteger mais a margem do que um corte linear de insumos aplicado sem qualquer critério agronômico.
Negociar a compra de fertilizante com antecedência, aproveitando janelas de preço mais favoráveis ao longo do ano, também reduz a exposição à volatilidade do mercado internacional na reta final antes do plantio, quando a pressa costuma custar caro na hora de fechar negócio com o fornecedor. Cooperativas e grupos de compra conjunta também têm ajudado produtores menores a obter condições melhores diante de um cenário de preços elevados.
O custo mais alto de produção não desaparece por decreto, mas decisões técnicas bem embasadas ajudam o produtor a atravessar esse período sem comprometer a produtividade que sustenta o resultado financeiro da safra inteira, mesmo diante de um cenário externo que continua fora do controle de quem planta.