Frenagem automática será obrigatória em todos os carros no Brasil: o que muda para o motorista

Diego Velázquez
7 Min de leitura

Contran determina que todos os veículos novos terão o sistema AEBS a partir de 2029, e o país já desenvolve sensor nacional para baratear a tecnologia

Uma mudança significativa está em curso no setor automotivo brasileiro. A partir de 1º de janeiro de 2029, todos os veículos novos fabricados no país deverão sair de fábrica equipados com sistema de frenagem autônoma de emergência, conhecido pela sigla AEB. A exigência foi definida pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e fará com que uma tecnologia hoje presente principalmente em veículos médios e premium passe a integrar também modelos de entrada. Mas os efeitos dessa decisão já estão visíveis: desde o início de 2026, todos os novos projetos de veículos já tinham que ter frenagem automática, com a grande mudança em 2029 sendo a extensão da obrigatoriedade para todos os modelos vendidos no país, incluindo projetos antigos. Mundo do Automóvel para PCDGrupo Sentinela

A pergunta que muitos motoristas fazem é simples: o que esse sistema faz, de fato, e por que ele importa? A resposta envolve tecnologia, segurança viária e até desenvolvimento industrial nacional.

Como funciona o sistema e o que o Contran exige

O sistema de frenagem autônoma funciona no trânsito como uma espécie de segundo par de olhos para o condutor. Sensores avançados e equipamentos instalados na parte frontal do veículo monitoram as vias constantemente e, caso detectem um risco iminente de colisão sem reação do motorista, o computador de bordo assume o comando dos freios automaticamente para mitigar ou evitar o impacto. O protótipo nacional utiliza um conjunto integrado de câmeras e radares para atuar em uma faixa de velocidade específica entre 10 e 60 km/h. Perfil

A medida fará com que carros novos vendidos no mercado brasileiro contem com uma tecnologia capaz de identificar situações de colisão iminente e acionar os freios automaticamente quando o motorista não reage a tempo. A mudança mais significativa ocorrerá em 1º de janeiro de 2029, quando a obrigatoriedade passará a valer para todos os veículos novos produzidos ou importados, independentemente da data de desenvolvimento do projeto. Carros e Garagem

A medida se tornará ainda mais rigorosa em 2031, quando os veículos deverão ser capazes de detectar e reagir a obstáculos parados nas vias, passando por testes de aprovação específicos. Quanto às exceções, veículos militares, especiais, artesanais, de pequena série, réplicas e buggies ficarão fora da obrigatoriedade, assim como alguns caminhões e ônibus com características específicas e modelos destinados à exportação. Jornal AgoraJornal Agora

O Brasil desenvolvendo seu próprio sensor

Uma das dimensões mais interessantes dessa regulamentação é o que ela está gerando no campo do desenvolvimento tecnológico nacional. O projeto inovador está sendo encabeçado pelo Senai Pernambuco em cooperação estratégica com a Universidade Federal de Pernambuco e a Universidade de Brasília. A iniciativa conta com o apoio técnico de grandes montadoras globais, como Volkswagen e Stellantis, e receberá um aporte de R$ 44 milhões para centralizar as pesquisas no Senai Park, localizado no complexo de Suape, em Pernambuco. Perfil

O objetivo é reduzir a dependência de componentes importados e, consequentemente, os custos, tentando produzir localmente uma das tecnologias necessárias para esse sistema. O radar automotivo nacional é capaz de medir a distância até o objeto, a direção do movimento e a velocidade relativa a partir de sensores, câmeras e inteligência artificial. Grupo Sentinela

Para acelerar os testes virtuais, os engenheiros utilizam recursos de inteligência artificial e a metodologia de gêmeos digitais, que criam réplicas virtuais idênticas dos automóveis. Essa abordagem reduz custos de prototipagem física e acelera o ciclo de validação do sistema. Se o projeto atingir seus objetivos, o Brasil terá um componente nacional pronto para ser integrado a toda a cadeia de montagem automotiva, o que pode afetar positivamente o preço final dos veículos de entrada. Perfil

O impacto no preço dos carros e na segurança viária

A obrigatoriedade de um novo sistema sempre levanta a questão do custo. A exigência de sistemas de frenagem elétrica terá que ser introduzida de forma contínua nos modelos de veículos, o que implica em custos adicionais. As fabricantes precisarão desenvolver, testar e implementar soluções que atendam aos padrões estabelecidos. No entanto, a trajetória histórica de outras tecnologias de segurança sugere que esse custo cai rapidamente com a escala de produção. Maozinha

Especialistas do setor avaliam que a frenagem automática deverá repetir a trajetória de outras tecnologias que inicialmente eram exclusivas de veículos caros. Foi o que aconteceu com os freios ABS, airbags e controle eletrônico de estabilidade. Após se tornarem obrigatórios, os componentes ganharam escala de produção e passaram a equipar praticamente todos os automóveis vendidos no país. Mundo do Automóvel para PCD

Do ponto de vista da segurança viária, estudos indicam que a introdução de tecnologias desse tipo pode reduzir drasticamente o número de acidentes. A frenagem automática não atua apenas como um último recurso, mas como uma camada adicional de segurança que pode ser a diferença entre a vida e a morte, algo particularmente relevante no Brasil, onde os índices de acidentes ainda são alarmantes. O sistema atua justamente na faixa de velocidade onde ocorre boa parte dos acidentes urbanos, entre 10 e 60 km/h. Para o motorista, o que muda na prática é a presença de um auxílio ativo que entra em funcionamento quando a atenção falha. Jornal Agora

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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