Honda CG 160 fecha junho com mais de 32 mil unidades e mercado de motos cresce 11%

Diego Velázquez
6 Min de leitura

Mercado nacional de motocicletas acelera no semestre, com Shineray avançando e Bajaj pressionando categorias que antes eram domínio exclusivo de Honda e Yamaha

O mercado brasileiro de motocicletas segue em uma trajetória de crescimento consistente em 2026. Os dados de emplacamentos acumulados até o dia 19 de junho, publicados pelo portal Car Blog, confirmam que a Honda CG 160 mantém liderança isolada com 32.163 unidades vendidas no mês, variação positiva de 11,4% em relação ao mesmo período de maio. Os números refletem um mercado que passou por uma expansão expressiva no acumulado do ano: entre janeiro e abril de 2026, foram comercializadas 782.527 motocicletas no país, alta de 19,18% frente ao mesmo intervalo de 2025, de acordo com dados da Fenabrave.

Esses números levantam uma questão que vai além dos rankings: o que está impulsionando essa demanda, e por quanto tempo ela se sustenta? A resposta envolve fatores econômicos, mudanças no perfil do consumidor e a entrada de novas marcas que estão pressionando os preços em categorias antes dominadas por poucas fabricantes.

Honda e Yamaha na frente, mas a disputa está mais acirrada

A Honda segue como dominante absoluta do mercado nacional de motocicletas. No acumulado até abril de 2026, a marca detinha 65,52% de participação, com 512.693 unidades vendidas, segundo dados da Fenabrave via Car Blog. A Yamaha aparece em segundo lugar com 13,82% de market share e 108.154 unidades. A Honda Biz e a Pop 110i, além da CG, seguem entre os modelos mais vendidos na categoria scooters e city, o que reforça o domínio da marca em faixas de preço populares.

No entanto, o ambiente competitivo mudou de forma perceptível. A Shineray, marca que cresceu rapidamente nos últimos dois anos, hoje ocupa a terceira posição no ranking de marcas com participação em torno de 6,49% no acumulado do ano. A Bajaj, por sua vez, opera uma estratégia diferente: em vez de apostar em um modelo único de alto volume, distribui sua presença em várias categorias com produtos como a Dominar D400, a NS400Z e a NS160, que competem em faixas de desempenho distintas.

A Yamaha MT-03 lidera o segmento naked/roadster, com 2.256 unidades acumuladas em 2026, conforme dados do portal AutoPapo. Mas a Bajaj pressiona com a NS400Z e a NS160, reduzindo o espaço de conforto que a Yamaha tinha nessas categorias. A Royal Enfield também segue avançando no segmento custom, e o lançamento da Bear 650, em fevereiro, registrou números expressivos de comercialização já no primeiro mês.

O perfil de quem compra moto no Brasil em 2026

O crescimento do mercado de motocicletas em 2026 reflete uma combinação de fatores que vai além da simples preferência por duas rodas. O uso de motos como instrumento de trabalho segue sendo o principal motor da demanda, especialmente nos modelos de baixa cilindrada que dominam a categoria city. Motoboys, entregadores de aplicativo e trabalhadores autônomos continuam sendo os compradores mais frequentes de Honda CG 160, Biz e Pop 110i.

Ao mesmo tempo, há uma expansão visível no segmento de médias e grandes cilindradas, impulsionada por um perfil de consumidor diferente: homens e mulheres entre 30 e 50 anos, com renda mais elevada, que buscam motos de fim de semana ou para o lazer urbano. É para esse público que Royal Enfield, Triumph e o segmento premium da Honda e Yamaha vêm crescendo. A Triumph, por exemplo, mantém presença discreta nos emplacamentos gerais, mas relevante em valor agregado.

O custo de manutenção continua sendo um critério decisivo na decisão de compra. Modelos com redes de assistência técnica consolidadas e disponibilidade de peças no mercado nacional ganham preferência, o que ainda beneficia Honda e Yamaha em relação às marcas mais novas. Marcas chinesas como Shineray enfrentaram, nos anos anteriores, questionamentos sobre durabilidade e suporte pós-venda, mas vêm investindo na expansão de sua rede de concessionárias para superar essa percepção.

O que esperar para o segundo semestre

As perspectivas para o segundo semestre de 2026 no mercado de motos são positivas. A expansão da infraestrutura de entregas por aplicativo, o crescimento do uso de motos elétricas em áreas urbanas e a entrada de novos modelos com propulsão eletrificada devem manter o volume de vendas aquecido. O segmento elétrico ainda representa uma fatia pequena do mercado total de motocicletas, mas cresce a cada mês.

A Fenabrave tem monitorado esse movimento com atenção, e os dados indicam que as motos elétricas urbanas, com autonomia entre 60 e 100 km, estão ganhando espaço entre entregadores de curta distância. Os preços ainda são superiores aos das motos a gasolina equivalentes, mas a diferença no custo operacional costuma compensar o investimento inicial em poucos meses de uso intenso.

Para o consumidor que pensa em comprar uma moto nos próximos meses, o conselho dos especialistas é pesquisar a disponibilidade de peças e a rede de serviço antes de optar por marcas menos estabelecidas no Brasil. O mercado está mais variado do que nunca, e essa variedade é uma oportunidade, desde que acompanhada da informação necessária para uma escolha segura.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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