Paulo Roberto Gomes Fernandes, fundador e presidente da Liderroll, sinaliza que a demanda por tecnologias avançadas de construção de dutos no Oriente Médio cresceu de forma expressiva nas últimas décadas. A região concentra alguns dos maiores projetos de infraestrutura energética do mundo, com gasodutos de extensão continental, oleodutos submarinos e sistemas de distribuição de alta pressão que exigem soluções técnicas acima dos padrões convencionais. A presença brasileira nesse mercado ganhou relevância à medida que tecnologias desenvolvidas no Brasil demonstraram capacidade de resolver problemas que empresas locais e multinacionais não conseguiam equacionar.
A escala da demanda regional e as especificidades técnicas dos projetos
A infraestrutura de dutos no Oriente Médio é marcada por extensão, volume de transporte e condições operacionais extremas. Temperaturas elevadas, variações sísmicas em algumas regiões e a necessidade de atravessar terrenos com perfis geológicos complexos definem um padrão de exigência que supera o da maioria dos projetos europeus. Por outro lado, os recursos financeiros disponíveis na região permitem investimentos em tecnologia que em outros mercados seriam considerados inviáveis economicamente.
A busca por fornecedores especializados extrapolou as fronteiras tradicionais da indústria e alcançou empresas brasileiras com portfólio técnico relevante. A partir disso, eventos como a Offshore Technology Conference em Houston e feiras setoriais no Golfo Pérsico passaram a concentrar reuniões entre compradores árabes e fornecedores brasileiros. Paulo Roberto Gomes Fernandes nota que esse movimento reflete uma mudança estrutural no padrão de contratação do setor, que passou a valorizar a especialização técnica acima da proximidade geográfica.
Tecnologia brasileira no radar das refinarias do Golfo Pérsico
A aproximação entre a engenharia brasileira e as demandas do Oriente Médio ganhou concretude em negociações conduzidas em Houston, onde representantes do Golfo Pérsico avaliaram equipamentos brasileiros destinados a refinarias no Kuwait. O interesse recaiu especificamente sobre soluções de suportação e movimentação de tubulações com desempenho superior em ambientes de alta temperatura. Assim, a Liderroll encontrou nesse mercado uma oportunidade de internacionalização consistente com a robustez do seu portfólio técnico.

A credibilidade construída em obras de referência no Brasil, como os projetos da Petrobras na Serra do Mar, foi determinante para viabilizar essas negociações. Na avaliação de Paulo Roberto Gomes Fernandes, o histórico técnico documentado em projetos de alta complexidade funcionou como um certificado tácito de competência que abriu portas em mercados que normalmente exigem referências internacionais prévias.
Projetos em terrenos de difícil acesso e a relevância das patentes internacionais
Países como Jordânia e Israel apresentam demandas específicas de infraestrutura de dutos em regiões com restrições geográficas e geopolíticas. A construção em áreas montanhosas, vales profundos e terrenos com acesso limitado para equipamentos convencionais é um desafio recorrente. Logo, tecnologias como o sistema ExoWay, desenvolvido pela Liderroll para lançamento de dutos em terrenos de alta inclinação, passaram a figurar como alternativas relevantes para esse tipo de obra.
Paulo Roberto Gomes Fernandes menciona que o registro de patentes em múltiplos países, incluindo os Estados Unidos, a Europa e a Índia, aumentou a legitimidade técnica da empresa perante compradores do Oriente Médio. A proteção por patente em jurisdições reconhecidas internacionalmente funciona, nesse contexto, como um atestado de ineditismo que distingue a empresa no competitivo cenário global.
O que a demanda do Oriente Médio revela sobre a maturidade da engenharia brasileira?
A participação brasileira em projetos do Oriente Médio representa mais do que uma oportunidade comercial pontual. Em síntese, ela indica a capacidade da engenharia nacional de competir em mercados que exigem padrões técnicos elevados, reconhecimento regulatório e capacidade de atendimento em escala global. A construção de redes de representação, como a parceria firmada com a Daslik na Holanda, demonstra que a presença em mercados externos exige mais do que produtos competitivos.
Paulo Roberto Gomes Fernandes expõe que o caminho percorrido pela Liderroll nesse processo serve de referência para outras empresas brasileiras do setor que buscam internacionalização com base em tecnologia proprietária. Cada obra bem-sucedida no exterior fortalece o posicionamento da engenharia brasileira como alternativa real para projetos de alta complexidade em qualquer região do mundo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez